Você sabe que é competente. Já conquistou coisas importantes, trabalha bem, resolve problemas e é reconhecida pelo que faz. Mesmo assim, você se pergunta: por que me sinto inferior mesmo sendo competente?
Mas basta entrar em determinados ambientes ou estar diante de algumas pessoas para surgir uma sensação difícil de explicar:
“Parece que todo mundo é melhor do que eu.”
Você começa a se comparar, questiona o que falou, pensa que poderia ter feito melhor e sente medo de parecer inadequada.
Mesmo sabendo, racionalmente, que tem capacidade, emocionalmente você pode continuar se sentindo insuficiente.
Isso acontece porque competência e segurança emocional não são a mesma coisa.
Por que me sinto inferior mesmo sendo competente?
É possível reconhecer suas próprias conquistas e, ainda assim, sentir insegurança.
A forma como você se percebe não depende apenas dos fatos. Experiências anteriores, críticas, comparações, rejeições e relações importantes podem influenciar a maneira como interpreta as situações atuais.
Por isso, uma mulher pode ter um excelente currículo, ser respeitada profissionalmente e ainda pensar:
“Será que eu realmente sou boa ou as pessoas ainda não perceberam que não sou?”
O problema nem sempre está na falta de capacidade. Pode estar na dificuldade de reconhecer internamente o próprio valor.
Por que a comparação faz você se sentir inferior mesmo sendo competente?
Quando você se compara constantemente, existe uma armadilha: você compara o seu bastidor com o palco do outro.
Você percebe a segurança de alguém, mas não conhece suas inseguranças.
Vê uma conquista, mas não vê as tentativas que deram errado.
Observa uma facilidade aparente, mas não sabe quanto esforço existiu por trás dela.
E, pouco a pouco, pode chegar a uma conclusão injusta:
“Ela consegue. Eu deveria conseguir também.”
O problema não é se inspirar em outras pessoas.
O problema começa quando a comparação passa a ser usada como medida do seu próprio valor.
“Eu sei que sou competente, mas não me sinto suficiente”
Essa frase merece atenção.
Muitas vezes, a dificuldade não está na capacidade, mas no padrão usado para avaliá-la.
Se você acredita que precisa acertar sempre, ser reconhecida, produzir muito ou evitar erros para se sentir competente, qualquer falha pode parecer uma prova de incapacidade.
Você deixa de pensar:
“Eu errei.”
E começa a pensar:
“Talvez eu não seja tão boa quanto imaginava.”
São coisas completamente diferentes.
Errar demonstra que você é humana.
Não demonstra que você é incompetente.
Por que tenho medo de descobrirem que não sou tão boa?
Algumas mulheres vivem com a sensação de que, em algum momento, as pessoas vão perceber que elas não são tão competentes quanto parecem.
Mesmo diante de evidências concretas de capacidade, continuam esperando o momento em que serão “desmascaradas”. Esse padrão é conhecido como síndrome do impostor.
Isso pode aparecer como insegurança excessiva, dificuldade de reconhecer conquistas, necessidade constante de confirmação ou medo exagerado de cometer erros.
Não significa automaticamente que exista um transtorno psicológico.
Mas é um padrão que merece ser compreendido quando começa a limitar sua vida.
Como parar de se sentir inferior mesmo sendo competente?
O primeiro passo não é tentar pensar positivamente o tempo todo.
É começar a diferenciar sensação de incapacidade de realidade.
Pergunte a si mesma:
“Que evidências eu tenho de que sou incapaz? E quais evidências mostram o contrário?”
Olhe para fatos.
Quais problemas você já resolveu?
O que você aprendeu?
Quais responsabilidades consegue sustentar?
E dificuldades que conseguiu atravessar?
Quais resultados já alcançou?
Não se trata de criar uma lista de elogios para se convencer de que é maravilhosa.
Trata-se de olhar para a sua história com mais equilíbrio.
Por que sou tão exigente comigo mesma?
Outra pergunta importante é:
“Eu exigiria de outra mulher o mesmo nível de perfeição que exijo de mim?”
Muitas mulheres são extremamente compreensivas com os erros dos outros e implacáveis com os próprios.
Aceitam que outra pessoa esteja aprendendo, mas acreditam que elas mesmas deveriam saber tudo.
Perdoam o erro de alguém, mas passam dias pensando no próprio.
Reconhecem o esforço dos outros, mas consideram insuficiente tudo aquilo que fazem.
Esse padrão de autocobrança pode alimentar continuamente a sensação de inferioridade.
Você não precisa se sentir superior para deixar de se sentir inferior
O caminho não é substituir:
“Sou inferior.”
por:
“Sou melhor que todo mundo.”
É construir uma percepção mais realista:
“Existem pessoas melhores do que eu em algumas coisas. Existem coisas que faço muito bem. Posso errar sem perder meu valor.”
Segurança emocional não significa acreditar que você nunca vai falhar.
Significa conseguir continuar se reconhecendo mesmo quando falha.
Se você se pergunta constantemente “por que me sinto inferior mesmo sendo competente?”, talvez valha olhar menos para aquilo que você ainda precisa provar e mais para a maneira como aprendeu a avaliar o próprio valor.
Porque talvez o problema não seja falta de competência.
Talvez você tenha aprendido que precisa provar o seu valor o tempo todo.
E viver tentando provar que é suficiente é muito diferente de conseguir reconhecer que você já tem valor, mesmo quando não está performando perfeitamente.
No fundo, sentimento de inferioridade, comparação com outras pessoas, medo de fracassar e necessidade de aprovação costumam andar juntos, alimentando a baixa autoestima. Reconhecer esse padrão é o primeiro passo para uma relação mais estável com o próprio valor.