Por que buscamos tanto a aprovação dos outros?

necessidade de aprovacao

Por que buscamos aprovação dos outros por Marcela Santos psicóloga

Talvez você não perceba, mas muitas decisões da sua vida podem estar sendo tomadas com o foco na aprovação dos outros. Talvez você ja tenha até dito a frase:

“O que os outros vão pensar?”

Você escolhe uma roupa pensando se será aprovada.

Pensa várias vezes antes de dar sua opinião.

Tem dificuldade de dizer não.

Muda de ideia depois que alguém demonstra desaprovação.

Sente culpa quando coloca suas próprias necessidades em primeiro lugar.

E, às vezes, mesmo depois de tomar uma decisão que queria muito, precisa que alguém diga que você fez a escolha certa para conseguir ficar em paz.

Isso pode parecer apenas preocupação com a opinião alheia. Mas, quando esse padrão se torna frequente, existe uma questão mais profunda:

quanto da sua vida está sendo guiado pelo que você realmente quer e quanto está sendo guiado pela necessidade de ser aprovada?

Gostar de aprovação é diferente de depender dela

Querer ser reconhecida, querida e respeitada é humano.

Nós somos seres sociais. A opinião das pessoas importantes para nós naturalmente tem algum peso.

O problema não está em se importar.

O problema começa quando a aprovação dos outros passa a funcionar como uma espécie de autorização para você se sentir segura sobre quem é, o que faz ou o que escolhe.

Nesse caso, a pergunta deixa de ser:

“Eu quero isso?”

E passa a ser:

“Será que vão aprovar isso?”

Essa mudança parece pequena, mas pode alterar completamente a maneira como uma pessoa conduz a própria vida.

Por que a aprovação dos outros pode se tornar tão importante?

A necessidade excessiva de aprovação geralmente não aparece do nada.

Ao longo do desenvolvimento, aprendemos, por meio das relações, diferentes maneiras de interpretar nosso próprio valor e o valor que temos para os outros.

Uma pessoa pode ter aprendido, por exemplo, que ser elogiada significava estar fazendo tudo certo, enquanto errar provocava críticas, rejeição ou afastamento.

Outra pode ter aprendido que precisava ser “boazinha”, útil, obediente ou fácil de lidar para evitar conflitos.

Também pode ter desenvolvido a ideia de que decepcionar alguém significa perder o amor, o respeito ou o vínculo daquela pessoa.

Com o tempo, agradar deixa de ser apenas uma escolha.

Passa a ser uma estratégia para se sentir segura.

E é justamente aí que a necessidade de aprovação começa a cobrar um preço.

“Eu não quero decepcionar ninguém”

Essa frase aparece com frequência na vida de mulheres que se acostumaram a ocupar o lugar de quem cuida, resolve, compreende e se adapta.

Ela pode parecer uma demonstração de consideração.

Mas vale fazer uma pergunta:

o que acontece com você quando, para não decepcionar outra pessoa, precisa decepcionar a si mesma?

Porque existe uma diferença entre considerar o outro e abandonar a si mesma para mantê-lo satisfeito.

Você pode ouvir uma opinião sem obedecê-la.

Pode decepcionar alguém sem ter feito algo errado.

Ou receber uma crítica sem precisar mudar imediatamente.

Pode dizer não sem precisar apresentar uma longa justificativa.

E pode escolher uma vida que algumas pessoas não entendam.

Isso faz parte da autonomia emocional.

O medo da rejeição pode estar escondido atrás da necessidade de agradar

Em algumas pessoas, a aprovação funciona como uma maneira de evitar uma experiência emocional ainda mais dolorosa: a rejeição.

Se eu agradar, talvez não me critiquem. Ou se eu concordar, talvez não haja conflito.

Quando eu fizer tudo corretamente, talvez não me abandonem.

Se eu não contrariar ninguém, talvez continuem gostando de mim.

O problema é que essa estratégia pode funcionar no curto prazo e prejudicar a pessoa no longo prazo.

Ela reduz momentaneamente o desconforto, mas reforça a ideia de que é perigoso desagradar.

E, quanto mais você evita esse desconforto, mais difícil pode ficar tolerá-lo.

Quando a aprovação começa a controlar suas decisões

A necessidade de aprovação merece atenção quando começa a interferir na sua autonomia.

Alguns sinais são:

  • você pede opinião mesmo quando já sabe o que quer;
  • sente ansiedade antes de contar uma decisão para alguém;
  • muda sua escolha depois de receber uma crítica;
  • tem dificuldade de sustentar uma opinião diferente;
  • sente culpa ao dizer não;
  • evita colocar limites para não gerar desagrado;
  • precisa ouvir que está bonita, competente ou fazendo tudo certo para se sentir segura;
  • pensa durante horas sobre uma crítica;
  • interpreta uma desaprovação como sinal de que fez algo errado;
  • costuma priorizar o conforto dos outros em detrimento do seu;
  • sente que precisa ser necessária para ser valorizada;
  • tem medo de que, se parar de agradar, as pessoas deixem de gostar de você.

Nenhum desses comportamentos, isoladamente, significa que exista um transtorno ou um problema psicológico.

O ponto importante é observar a frequência, a intensidade e o quanto isso limita sua vida.

Por que pessoas competentes também podem precisar tanto de aprovação?

Esse é um ponto pouco discutido.

A necessidade de aprovação não é necessariamente consequência de falta de capacidade.

Uma mulher pode ser profissionalmente competente, independente financeiramente, inteligente e responsável e, ainda assim, sentir enorme dificuldade em lidar com desaprovação.

Isso acontece porque competência em uma área da vida não significa necessariamente segurança emocional em todas as áreas.

É possível saber tomar decisões no trabalho e ficar completamente insegura quando alguém importante questiona uma decisão pessoal.

Ou liderar uma equipe mas ter dificuldade de dizer não ao próprio marido.

É possível aconselhar outras pessoas e passar horas se perguntando se alguém ficou chateado com você.

Por isso, simplesmente dizer “tenha mais autoestima” costuma ser insuficiente.

A questão não é apenas aprender a pensar positivamente sobre si mesma.

É compreender por que a aprovação se tornou tão necessária para que você se sinta segura.

O preço de viver tentando agradar

Existe um paradoxo na busca constante por aprovação.

Quanto mais você tenta garantir que ninguém fique desapontado com você, mais precisa abrir mão de partes de si mesma.

Você começa cedendo em pequenas coisas.

Depois deixa de expressar determinadas opiniões.

Evita conversas difíceis.

Aceita situações que não gostaria de aceitar.

Vai adiando desejos pessoais.

E, em algum momento, pode perceber uma sensação difícil de explicar:

“Eu não sei mais o que eu quero.”

Não necessariamente porque você não tenha desejos.

Mas porque passou tanto tempo considerando primeiro as necessidades, expectativas e opiniões dos outros que deixou de consultar as próprias.

Como começar a diminuir a necessidade de aprovação?

O objetivo não é chegar ao ponto de não se importar com ninguém.

Isso seria outra forma de desequilíbrio.

O objetivo é conseguir considerar a opinião dos outros sem entregar a eles o poder de definir suas escolhas.

Uma pergunta simples pode ajudar:

“Se eu tivesse certeza de que ninguém ficaria decepcionado comigo, o que eu escolheria?”

Não significa que você deva fazer automaticamente o que surgir como resposta.

A pergunta serve para identificar quanto da sua decisão está vindo do desejo e quanto está vindo do medo da reação dos outros.

Outra pergunta importante é:

“Estou fazendo isso porque quero ou porque tenho medo do que acontecerá se eu não fizer?”

Essa diferença é fundamental.

Você pode escolher ajudar alguém porque quer.

Mas também pode estar ajudando porque sente que será uma pessoa ruim se disser não.

Externamente, os dois comportamentos podem parecer iguais.

Internamente, são completamente diferentes.

Você não precisa deixar de ser uma pessoa agradável

Existe uma confusão comum quando falamos sobre limites e autonomia.

Algumas pessoas acreditam que deixar de buscar aprovação significa se tornar fria, egoísta ou indiferente.

Não é isso.

Você pode continuar sendo gentil.

Pode continuar se importando com as pessoas, ouvir críticas, reconhecer quando errou, mudar de opinião.

E pode pedir desculpas.

A diferença é que essas atitudes passam a ser escolhas, e não formas de garantir que você continue sendo aceita.

Maturidade emocional não significa não precisar de ninguém.

Significa conseguir se relacionar com os outros sem precisar desaparecer dentro dessas relações.

Talvez a pergunta mais importante não seja “como fazer as pessoas gostarem de mim?”

Talvez seja:

“O que acontece dentro de mim quando alguém não gosta daquilo que eu faço?”

Essa resposta pode revelar muito.

Porque, em muitos casos, a dor não está simplesmente na desaprovação.

Está no significado que damos a ela.

“Se ela não gostou, fiz alguma coisa errada.”

ou Se ele ficou decepcionado, eu falhei.”

“Se alguém me criticou, talvez eu realmente não seja boa o suficiente.”

“Se essa pessoa se afastar, talvez seja porque eu não fui capaz de agradá-la.”

É nesse nível que a questão precisa ser compreendida.

Não para que você nunca mais se importe com a opinião de ninguém.

Mas para que a opinião dos outros volte a ocupar o lugar que deveria ocupar:

uma informação sobre a relação, e não uma sentença sobre o seu valor.

Quando procurar ajuda psicológica?

Se a necessidade de aprovação estiver fazendo você viver em função das expectativas alheias, dificultando seus relacionamentos, prejudicando sua capacidade de estabelecer limites ou provocando sofrimento frequente, pode ser importante investigar esse padrão em psicoterapia.

O objetivo não é ensinar você a “não ligar para ninguém”.

É compreender a origem desse funcionamento e desenvolver maior autonomia para fazer escolhas coerentes com seus valores, necessidades e limites.

Porque existe uma diferença enorme entre ser uma pessoa que considera os outros e ser uma pessoa que precisa da aprovação dos outros para se sentir bem consigo mesma.

E talvez essa diferença seja justamente o começo de uma relação mais livre com você mesma.


Autora: Marcela Santos — Psicóloga clínica especialista no atendimento a mulheres.

Se esse conteúdo fez sentido pra você...

Talvez ela também faça sentido para alguém que você conhece.
Se você acredita que este conteúdo pode ajudar outra pessoa, compartilhe!

Ou